PM que diz comemorar mortes em vídeo de youtuber americano é réu pelo massacre de Paraisópolis

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PM que diz comemorar mortes em vídeo de youtuber americano é réu pelo massacre de Paraisópolis

O policial militar Luís Gabriel de Oliveira , que aparece em um vídeo do youtuber americano Gen Kimura dizendo que celebra com “charutos e cervejas” a morte de suspeitos é um dos 13 PMs réus no caso do Massacre da Paraisópolis.

Na ocasião, nove jovens foram mortos durante um baile funk na comunidade, em dezembro de 2019, após uma operação da Polícia Militar que encurralou com bombas de gás lacrimogênio e tiros de borracha os frequentadores do baile.

Na época da ação em Paraisópolis, Oliveira era cabo, mas foi promovido a terceiro sargento da PM em agosto de 2023, quando já era réu no caso.

Em denúncia aceita pela Justiça, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirmou que Oliveira, que era o motorista do primeiro tático móvel a chegar em Paraisópolis, “desceu da viatura com o cassetete em mãos e passou a agredir quem buscasse fugir do tumulto por aquela esquina”.

“Os denunciados assim agiram pela torpe motivação de causar tumulto, pânico e sofrimento, em abusiva demonstração de poder e prepotência contra a população que estava em evento cultural”, afirma o MPSP em trecho da denúncia.

O policial chegou a ser afastado na época do caso, mas depois foi realocado do 16º Batalhão da Polícia Militar de São Paulo (BPM/M), que atende bairros entre a zona oeste e a zona sul da capital paulista, para o 18º Batalhão da Polícia Militar de São Paulo (BPM/M), na zona norte.

Neste novo batalhão, Oliveira passou a trabalhar em uma equipe da Força Tática que foi uma das entrevistadas pelo influenciador Gen Kimura no vídeo revelado pela Folha de S. Paulo. Em uma parte do conteúdo, Kimura registra o momento em que Oliveira diz que que mortes de supostos bandidos são comemoradas com “charutos e cervejas”.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que a frase mencionada não condiz com as práticas adotadas pelas forças de segurança do Estado, e que os cinco agentes envolvidos nas filmagens foram afastados.

Já a Ouvidora da Polícia Militar disse que abriu um procedimento para apurar possível improbidade administrativa cometida pelos agentes e afirmou que diversas irregularidades foram cometidas na gravação.

O vídeo, publicado no início deste mês, mostra Kimura não apenas dentro da viatura policial, mas também participando de treinamentos preparatórios dos agentes. Em determinado momento, os policiais mostram o pelotão por dentro, incluindo o depósito de armamentos utilizados nas ações. O influenciador, acompanhado dos militares, participa de perseguições e abordagens em três favelas distintas de São Paulo.

A CNN questionou a SSP sobre a promoção do policial mesmo após o envolvimento dele no caso de Paraisópolis. Em nota, a pasta afirmou que o Comando da Polícia Militar determinou a apuração de todas as movimentações e ocorrências relacionadas ao policial citado na reportagem.

“As investigações ficarão a cargo da Corregedoria da instituição. A Polícia Militar é uma instituição legalista e não compactua com desvios de conduta de seus agentes. Comprovada qualquer irregularidade, os envolvidos serão responsabilizados nos termos da lei”, completou.