PF: Difusão de desinformação ocorria com “marcação” de Carlos Bolsonaro

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PF: Difusão de desinformação ocorria com “marcação” de Carlos Bolsonaro

O relatório da Polícia Federal (PF) que fundamentou a operação deflagrada nesta quinta-feira (11) no âmbito das investigações da chamada “Abin paralela” indica que integrantes do esquema ilegal orientavam a “marcação” do vereador Carlos Bolsonaro (PL) em publicações que disseminavam desinformação contra alvos do grupo.

O documento mostra dois prints de conversas em uma rede social envolvendo movimentos do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apontado como um dos espionados pelo grupo.

Em uma das imagens, de uma conversa entre Giancarlo Gomes Rodrigues, militar cedido à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e Marcelo Araújo Bormevet, agente da Polícia Federal, que também é investigado pelas autoridades no caso, Giancarlo fala sobre a suposta participação do parlamentar em uma Organização não Governamental (ONG).

Na sequência, Bormevet diz: “somente lixos. Vamos difundir isto. Pede para marcar o CB”. Ao que Giancarlo responde: “já estou municiando o pessoal”.

De acordo com a PF, a sigla “CB” era uma referência ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em outro print, capturado em uma rede social, um usuário identificado como “Verdades Marcelo Augusto” — segundo a PF, um perfil falso de Giancarlo Gomes Rodrigues — diz que Alessandro Vieira estava em uma sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia “metendo o pau na galera”. “Acho que merece um Thread marcando o Carlos Bolsonaro”, complementa o perfil.

A CNN busca contato com as defesas de Carlos Bolsonaro, Marcelo Araújo Bormevet e Giancarlo Gomes Rodrigues e aguarda resposta – o espaço está aberto para manifestação.

“Abin paralela” mirou várias autoridades, diz PF

Diversas autoridades, incluindo o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e outros magistrados da Suprema Corte foram espionados no esquema, segundo investigação.

A operação de hoje foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que atendeu ao pedido da PF e decretou a prisão de cinco investigados, além de autorizar sete mandados de busca e apreensão.

Segundo apuração da CNN, quatro prisões foram realizadas até o momento e atingiram um militar do Exército, um agente da PF, um empresário e um ex-assessor da Secretaria de Comunicação Social do governo Bolsonaro.