28/08/2023 às 18h16min - Atualizada em 29/08/2023 às 00h02min

O Tremor e o Terroso: Miguel Afa | NONADA ZS e NONADA ZN

o gênio, cria do Morro do Alemão, em exposição simultânea nos dois espaços

Silvia Balady
divulgação
Miguel Afa é nome predominante nos dois espaços da NONADA. Em sua primeira individual na galeria, onde foi o primeiro artista com representação e, também, tem na NONADA sua primeira galeria, apresenta O Tremor e o Terroso: Miguel Afa, sob curadoria de Igor Simões. Uma exposição em dois tempos, com um total de 40 pinturas, exibe, em Copacabana (NONADA ZS) seis (6) telas de forma mais intimista como preparação e apresentação do segundo ato. No espaço da Penha (NONADA ZN), “uma exposição maior e com obras de grande formato que chegam a lugares novos na produção do artista”, como define Paulo Azeco, tem-se dez (10) pinturas e um políptico composto por vinte e quatro (24) trabalhos.
Como ressalta o curador, “Miguel Afa desloca seus mais recentes trabalhos para uma atmosfera da ordem do onírico. (...) Um jogo contínuo de reescrever o mundo a partir do encontro do corpo com a pintura”.
Em sua dedicação incessante ao fazer, aprimorar, ascender, o artista reproduz, em tela, sua vivência diária de forma afetuosa amainando cenas duras da realidade com a qual convive. Pinceladas precisas adquiridas através da persistência de um artista autodidata determinado a “fazer a diferença”, aprimoram as técnicas utilizadas e apresentam emoção em pinturas de situações que, não corriqueiras, transmitem ‘vida real’. “Eu tento abordar as questões não objetivas, o contraponto da visão pré-estabelecida sobre nós, pretos e favelados. Abordo as relações afetivas, saberes locais e como intuitivamente cuidamos um do outro, seja no aspecto emocional ou físico”, define o artista.
Em O Tremor e o Terroso: Miguel Afa, “(...) do embate entre a natureza e a construção, surgem alguns dos trabalhos dessa mostra. A planta rompe o tijolo. Mas o que está ali em tensão não é a planta, não é o tijolo. “É o tempo”, define Igor Simões. E prossegue: ”Para alguns, poderia soar que as camadas e sobre camadas de tinta podem soar sujas, para ele não. Para um artista estudioso das histórias da arte, nada é acaso. Fabular a terra nos seus mais diferentes sentidos exigiu desse jovem artista carioca uma relação que passa pela herança da pintura nomeada ocidental, mas que se assinala como inegavelmente brasileira. Creio que, a essa altura da carreira de Afa, já não resta dúvida que estamos diante de um dos mais importantes pintores da sua geração”.
Possivelmente, estamos observando um momento em que um ciclo se encerra para permitir novos desafios e novas conquistas. Como anotado pelo curador, “Miguel é um artista que já superou a fase das ideias que querem parecer o trabalho realizado. Ele sabe que ideia é o início, mas arte é trabalho, labuta diária, busca pela tarifa certa que permite surgir a poesia. Afa  assegura [ou reitera] constantemente: quero ser relevante. Essa nota mental aponta para um necessário caminho de constante busca. Miguel o faz!”
Em seu agora, Miguel Afa vive um momento de relação nova com sua inventividade, seu criadouro de imagens. Os tons terrosos, mas não depressivos, destacam a beleza do menino, que mesmo com céu nublado, abaixa-se para resgatar sua pipa.
Na poesia, na arte e na construção de mundos além do imediato. Mundos e possibilidades que alguns chamaram de utópicos. Mas que em Afa é linguagem, domínio, conhecimento; e uma produção que se move no tempo de um constante amadurecimento na poética de um pintor raro, com pés assentados  na terra e ciente de que o tremor é o impulso necessário para fazer voar a pipa”.   Igor Simões

Imagens e textos disponíveis, clicar AQUI

 
  • artista
Miguel Afa (1987, Rio de Janeiro, RJ) - Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Iniciou sua trajetória por meio do graffiti em 2001 nas ruas e becos do Complexo do Alemão e frequentou a Escola de Belas Artes - UFRJ. Seu trabalho aborda uma leitura sobre o corpo periférico, contrapondo os aspectos desfavoráveis aos quais são submetidos e propondo outra leitura imagética que potencializa o entendimento de afeto. Por vezes, são imagens singelas e cheias de sensibilidade, em outras, apresentam uma mensagem política direta. O que seu olhar captura ganha uma aura própria com as cores que utiliza; sua paleta amena é um componente fundamental na sua composição, intensificando ainda mais a profundidade do que é representado. Sua cor não é ingênua; também é discurso, um posicionamento sobre as cenas retratadas. Esmaecer é nos lembrar o que é visto e o que é invisibilizado. O artista participou da exposição Paura na ERA Gallery (Milão, Itália). Sua primeira mostra individual é na NONADA, 2023, com curadoria de Igor Simões e, em novembro do mesmo ano, na Galeria Graça Brandão (Lisboa, Portugal)
  • curador
Igor Simões (1980, Porto Alegre, RS) - Vive e trabalha em Porto Alegre (RS). Doutor em Artes Visuais-História, Teoria e Crítica da Arte-PPGAV-UFRGS. Professor Adjunto de História, Teoria e Crítica da arte e Metodologia e Prática do ensino da arte (UERGS). Foi curador adjunto da Bienal 12 (Bienal do Mercosul- Curador educativo). Membro do comitê de curadoria da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas-ANPAP, Membro do Núcleo Educativo UERGS-MARGS. Membro do comitê de acervo do Museu de Arte do RS-MARGS. Trabalha com as articulações entre exposição, montagem fílmica, histórias da arte e racialização na arte brasileira e visibilidade de sujeitos negros nas artes visuais. Autor da Tese Montagem Fílmica e exposição: Vozes Negras no Cubo Branco da Arte Brasileira. Membro do Flume-Grupo de Pesquisa em Educação e Artes Visuais. Tem mantido atividades na área de formação e debate sobre arte brasileira e racialização em instituições como MASP- Museu de Arte de São Paulo (SP), Instituto Itaú Cultural (SP), Instituto Moreira Salles (IMS, SP, MAC/ USP-Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (SP) e universidades do Brasil e exterior. Curador da exposição “Presença Negra no Museu de Arte do Rio Grande do Sul” (RS). Integrou o conselho curatorial das exposições : “Social Fabric ( Houston, Dallas, TX, USA); “Enpowerment” ( Volfsburg, Alemanha). Membro do Conselho do AWARE – Archives of Women Artists, Research and Exhibitions (France- USA). Curador geral de “Dos Brasis: Arte e Pensamento Negro”, 2023, SESC Belenzinho (SP). Contribui com publicações de livros, periódicos e revistas do segmento.
  • galeria
NONADA, um neologismo que remete ao não lugar e a não existência. Como o próprio significado de NONADA diz, ela surge com o intuito de suprir lacunas momentâneas, ou permanentes, com um novo conceito. A galeria, inclusiva e não sectária, enquanto agente promotor de encontros e descobertas com anseio pela experimentação, ilustra possibilidades de distanciar-se de rótulos enquanto amplia diálogos. “NONADA é um híbrido que pesquisa, acolhe, expõe e dialoga. Deixa de ser nada e passa a ser essência por acreditar que o mundo precisa de arte… e arte por si só já é lugar”, definem João Paulo, Ludwig, Luiz e Paulo. A NONADA mostra-se necessária após a constatação, por seus gestores, da imensa quantidade de trabalhos de boa qualidade de artistas estranhos aos circuitos formais e que trabalham com os temas atuais, sem receio nem temor em abordar tópicos políticos, identitários, de gênero ou qualquer outro assunto que esteja na agenda do dia; que seja importante no hoje. “Queremos apresentar de forma plural novos talentos, visões e força criativa”. O processo de maturação da NONADA foi orgânico e plural pois “abrangeu desde nossa experiência como também indicações de artistas, curadores, e de buscas onde fosse possível achar o que aguardava para ser descoberto”, diz Paulo Azeco. Ludwig Danielian acrescenta: “não queremos levantar bandeiras, rótulos, e sim valorizar a boa arte, que independe de estereótipos. Queremos ter esta proposta de galeria em Copacabana, bairro popular, e na Penha, no subúrbio, na periferia do circuito de arte, para que se leve excelentes trabalhos a todos.

SERVIÇO
Exposição: O Tremor e o Terroso: Miguel Afa
Artistas: Miguel Afa
Curadoria: Igor Simões
Aberturas:
NONADA ZS – 31 de agosto, quinta-feira, das 17 às 21hs
NONADA ZN – 02 de setembro, sábado, das 13 às 19hs
Período:
NONADA ZS – de 01 de setembro a 21 de outubro de 2023
NONADA ZN – de 07 de setembro a 28 de outubro de 2023
Locais:
NONADA ZS - @nonada_nada
Endereço: Rua Aires Saldanha, 24 – Copacabana, RJ
Dias e Horários de funcionamento: terça a sexta-feira, das 11h às 19h; sábado, das 11h às 15h
NONADA ZN - @nonada_nada
Endereço: Rua Conde de Agrolongo, 677 - Penha, RJ
Dias e Horários de funcionamento: quinta e sexta, das 12h às 17h || sábado, das 11h às 15h
Número de obras: 06 (ZS) e 10 + políptico (ZN)
Técnicas: pintura 
Dimensões: variadas

 

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