23/08/2023 às 17h34min - Atualizada em 24/08/2023 às 00h01min

TeleUTI Conectada integra dados de UTIs para dar suporte à tomada de decisão remotamente em casos críticos

Telemedicina vai muito além das consultas remotas; permite integração em tempo real de profissionais com diferentes expertises para soluções de situações complexas

Mariana Garrett Paker Rodrigues
Divulgação Lifemed

Conectar leitos de UTI de diferentes regiões do Brasil por meio de uma plataforma digital. Este é o objetivo do TeleUTI Conectada, projeto que usa a tecnologia INTEGRARE, desenvolvida pela Lifemed, para coletar e analisar dados em tempo real de equipamentos médicos, exames laboratoriais e imagens dos pacientes internados em estado crítico.

 

O objetivo é promover uma discussão colaborativa de casos complexos entre especialistas de diferentes instituições, oferecer apoio remoto e capacitação continuada às equipes das UTIs e padronizar as condutas assistenciais. Com isso, estima-se reduzir as mortalidades/morbidades, o tempo de internação e os custos dos tratamentos. A meta é alcançar 100 leitos conectados nacionalmente até 2023. O professor Dr. Carlos de Carvalho, diretor da divisão de pneumologia do Incor e da saúde digital do HCFMUSP, coordena o projeto, em parceria com o Ministério da Saúde.

 

Essa discussão é feita em tempo real e de forma agnóstica, e os profissionais da saúde (médicos, enfermeiros e fisioterapeutas) conseguem, com ela, consultar todos os dados disponíveis em monitores multiparaméticos (MM), ventiladores mecânicos (VM), bombas de infusão (BIC), exames laboratoriais e imagens médicas. A equipe multidisciplinar de especialistas pode, então, empreender seus esforços em usar todo o know-how individual de cada um para chegar às melhores conclusões, em conjunto. E o mais relevante: tudo embasado em dados obtidos em tempo real.

 

Franco Pallamolla, Presidente da Lifemed, explica que isso levou a uma guinada no direcionamento da companhia: “Já havia estudos e trabalhos em andamento para se criar soluções de como reunir um time especialistas em tempo real para casos que exigem agilidade e diversos know-hows em diferentes áreas. A pandemia acelerou este processo tornando, naquele momento, mais urgente a implementação de soluções”, aponta. “Mas seguimos desenvolvendo não só a tecnologia, mas também como fazer o melhor uso dela uma vez estabelecida. Hoje, conseguimos com este projeto dar mais um salto tanto na entrega dos profissionais de saúde quanto dos desenvolvedores de soluções, como a Lifemed, e todos os envolvidos em toda a cadeia para ter mais sucesso em casos críticos. Todos saem ganhando”, completa.

 

O Hospital das Clínicas de São Paulo (HCFMUSP) e mais 10 UTIs distribuídas pelo Brasil estarão envolvidos no projeto. Até agora, quatro hospitais já foram selecionados e começarão em setembro: Hospital Regional do Norte em Sobral/Ceará, Hospital Dr. Pedro Garcia Moreno em Itabaiana/Sergipe, Hospital Municipal de Imperatriz em Imperatriz/Maranhão e Hospital Universitário do Norte em Londrina/Paraná. Os seis restantes estão em processo de seleção.

 

O início da TeleUTI no Brasil

O serviço de TeleUTI teve início no Brasil com a UTI Respiratória do InCor - referência para o tratamento de casos respiratórios graves e ventilação mecânica no serviço público do Estado de São Paulo, que desenvolveu durante a pandemia de Covid-19 um protocolo de assistência e capacitação para as UTIs públicas paulistas. A TeleUTI Respiratória foi a primeira a treinar e assessorar UTIs de forma remota,  tornando-se referência em condutas e protocolos de tratamento a pacientes acometidos pela forma grave da doença. O programa, liderado também pelo Prof. Dr. Carlos de Carvalho, realizou mais de treze mil teleatendimentos e treinou mais de 16 mil profissionais de saúde para o tratamento da Covid-19. 

 

A capacitação e treinamento do manejo do paciente com diagnóstico confirmado ou com suspeita de covid-19 foi baseado em um protocolo validado pelas universidades USP, Unicamp, UNESP e Unifesp e pela Secretaria Estadual de Saúde e incluiu fisioterapeutas, médicos e enfermeiros, por meio de plataformas de educação.

 

Além dos cursos de capacitação e treinamento de equipes médicas, o InCor coordenou o programa de teleconsultoria em UTI no Estado de São Paulo, no qual participaram mais de 37 UTIs de hospitais da rede estadual pública, entre maio de 2020 e novembro de 2021.

 

Nesse contexto, o programa apontou que a mortalidade nas UTIs foi reduzida em mais de 20% dos pacientes graves com Covid-19 e houve redução do tempo de permanência em UTI, aumentando em 30% a disponibilidade de leitos assistidos.

 

Sobre a INTEGRARE

 

A INTEGRARE é uma ferramenta disruptiva de suporte à decisão médica desenvolvida para UTIs e aprovada pelo IdeiaGov (hub de inovação aberta do Governo do Estado de São Paulo) como solução para monitorar sinais vitais e operar aparelhos eletromédicos usados em leitos hospitalares em um modelo remoto, inteligente e integrado.

 

A partir de um sistema integrado e agnóstico que coleta dados e parâmetros dos pacientes (como oxigenação, frequência cardíaca e respiratória, funcionamento de bomba de infusão, ventilador mecânico, tomografia de impedância elétrica), as informações são analisadas em tempo real e de forma remota. A prescrição e dispensação de medicamentos leito a leito também estão integradas ao sistema digital da UTI, garantindo mais agilidade, segurança e redução de desperdícios.

 

A digitalização da UTI e o monitoramento integrado de leitos têm como objetivo tornar a internação de pacientes ainda mais segura e eficiente, já que os profissionais da linha de frente ficam responsáveis pela validação dos dados e parâmetros durante as visitas, de forma rápida e segura. A plataforma também permite que a equipe se prepare cada vez mais para respostas rápidas em caso de novas epidemias ou pandemias, além de permitir a conexão com outras UTIs e hospitais universitários, para a criação de polos de atendimento e troca de informações. 

 

A INTEGRARE proporciona muitas vantagens técnicas e de usabilidade, dentre elas a redução de até 30% tanto do tempo gasto pela equipe de enfermagem quanto à redução de erros de coleta, inserção de dados e cálculos nos sistemas/prontuários, a rapidez e disponibilidade em tempo real de informações que apoiam a equipe multidisciplinar na tomada de decisão (fato que pode ser crucial para o desfecho clínico do paciente).

 

A tecnologia interliga os equipamentos ao PEP (Prontuário Eletrônico do Paciente) proporcionando o acesso às informações do laboratório, farmácia, centro de imagens, etc. Transmite todas as informações via wi-fi para a nuvem, permitindo ao especialista acessá-la em tempo real, visualizá-la em seu smartphone, notebook ou tablet e realizar vídeo chamadas (sem sair da tela de visualização dos sinais vitais) com os plantonistas para análise do paciente em estado crítico. A transmissão é realizada por meio de comunicação criptografada de ponta a ponta, proporcionando assim total segurança dos dados e em conformidade total à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) .


 

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