22/08/2023 às 19h31min - Atualizada em 23/08/2023 às 00h02min

Três espetáculos encerram o Festival Palco Giratório do SESC em São Paulo; no próximo fim de semana

O Palco Giratório deste ano marca a retomada das apresentações presenciais, além das comemorações dos 25 anos de existência

Adriana Monteiro/Ofíciodasletras
Foto: Valeria Félix
O Palco Giratório, um dos mais abrangentes projetos de circulação de Artes Cênicas do Sesc, traz ao público de São Paulo, no período entre 4 e 27 de agosto, 14 espetáculos de três áreas cênicas (teatro, dança e circo), provenientes de 12 estados brasileiros e consonantes com o nosso tempo histórico. 

A cena negra e a contínua busca por identidade e (re)valorização de ancestralidades e saberes, o teatro realizado por mulheres e as vozes e narrativas periféricas ou dos povos originários serão partilhados com públicos variados em sete unidades da capital. (veja abaixo a relação)

O Palco Giratório deste ano marca a retomada das apresentações presenciais, além das comemorações dos 25 anos de existência, totalizando 238 apresentações e 129 atividades formativas, contemplando 73 cidades e empregando diretamente 464 artistas, pesquisadores e produtores culturais. A primeira apresentação do circuito foi a do espetáculo Cartas para Mercedesssssss, em 27 de abril, no Sesc Copacabana.

Em São Paulo, o espetáculo de abertura da 25ª edição, no dia 04 de agosto, sexta-feira, às 20h, no Sesc Avenida Paulista, será o circense “Provisoriamente não cantaremos o amor”, da Traço Cia. de Teatro, de Santa Catarina.

Entre os trabalhos selecionados pela curadoria do projeto, seis representam o Sul e Sudeste, quatro o Centro-Oeste e cinco o Norte e Nordeste sendo seis obras de teatro adulto, um infantil, quatro de circo e quatro de dança. Cada espetáculo será apresentado em duas sessões, em dias seguidos e após algumas apresentações acontece o “Pensamento Giratório”, ações com o público que podem ser em formato de oficina ou bate-papo, em São Paulo serão três: A Invenção do Nordeste, em 11/8, sexta, às 15h; Cuidado com Neguin em 17/8, quinta, às 20h, bate-papo com Érica Ribeiro, Maria Araujo e Kelson Succi e em 25/8, sexta, às 15h, Imalè Inú Ìyágbà.

As estéticas negras estão representadas por quatro espetáculos; “Cartas para Mercedesssssssss” (RJ),Imalẹ̀ Inú Ìyágbà” (SP), “Preta Mina - O fim do silêncio, o eco do incômodo” (RS) e Cuidado com Neguin” (RJ).

Cartas para Mercedesssssssss” (RJ), do grupo Cia Étnica de Dança, que abriu as apresentações desse ano do Palco Giratório, imagina e propõe conversas abertas entre os universos biográficos e artísticos da bailarina, coreógrafa e professora negra-brasileira Mercedes Baptista e a vida e a dança de bailarinas e coreógrafas negras de diferentes gerações. A peça dá continuidade às pesquisas da diretora e coreógrafa Carmen Luz sobre a presença e a atuação de artistas negras, negros e negres na dança criada e produzida no Brasil.

“Imalẹ̀ Inú Ìyágbà” (SP) é um espetáculo que traz, na base de sua construção, a bibliografia e as simbologias ligadas ao matriarcado mítico yorubano. Imalè ecoa o sagrado: símbolo e local de perpetuação da ancestralidade. Inú, o interior, o íntimo ou as próprias vísceras, como o útero e o estômago. Já Ìyágbà significa mulher ancestral, matriarca.
O espetáculo “Cuidado com Neguin” (RJ) traz o contexto social da condição preta e mostra a visão crítica e artística do personagem negro, jovem, pobre e favelado que sai do morro para encarar a cidade diariamente tendo de lidar com diversas formas de racismo. A identidade de Neguin é múltipla, e ele usa mecanismos para conseguir se locomover na cidade, rebater aos ataques, e, muitas vezes, se encaixar no "quadrado branco" apenas para sobreviver.

Já a poesia é a tônica do espetáculo “O Preta Mina - O fim do silêncio, o eco do incômodo” (RS), da artista Preta Mina. Ela traz à cena de forma performática e poética a descoberta da sua voz e da sua história através de poemas autorais. A peça aborda as percepções da artista sobre o mundo, suas relações em comunidade, sua arte e sua ancestralidade.

A seleção das obras feita pela comissão curatorial, composta por 29 profissionais do Sesc atuantes em todo o país, é resultado de um longo e profundo processo de análise e discussões, o qual leva em conta a experiência única dos espetáculos, as trajetórias de seus criadores, além das demandas atuais e contemporâneas, como, por exemplo, a atenção a desigualdades estruturais agravadas pela Covid-19.
A comissão destaca ainda algumas temáticas comuns nas inúmeras manifestações da força criadora da cena brasileira como a contínua reinvenção da tradição, o enfrentamento de temas decisivos na contemporaneidade, o anseio por espaços de partilha e também de contestação.

Três espetáculos encerram o Festival Palco Giratório do SESC em São Paulo

No Sesc Santana
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Dias 24 e 25/8. Quinta e sexta, 20h. 

Imalè Inú Ìyágbà
Teaser: https://www.facebook.com/watch/?v=454954252818274
Espetáculo criado em 2017 por Adnã Ionara sob direção de Mariana Andraus, tendo como mote a memória, o afeto e suas implicações na jornada mítica ancestral, social, histórica e política. Imalẹ̀, epicentro das memórias pessoais e relembranças de menina preta. O espetáculo mostra a dançarina sendo guiada pelas mãos da escritora mineira Conceição Evaristo, a começar pelo conceito de “escrevivência”, a escrita nascida do cotidiano. O título, de mesma origem, abrange diferentes traduções e interpretações. Imalè ecoa o sagrado: símbolo e local de perpetuação da ancestralidade. Inú, o interior, o íntimo ou as próprias vísceras, como o útero e o estômago. Já Ìyágbà significa mulher ancestral, matriarca.
Adnã Ionara é graduada em Dança e mestranda em Artes da Cena pela UNICAMP. Pesquisadora e artista das artes da cena deu início aos estudos na dança e outras linguagens quando criança no terreiro de sua avó. Tem em sua formação técnicas de balé clássico, jazz dance, dança contemporânea, dança moderna e danças afro-brasileiras, sobretudo danças tradicionais e populares. Estuda relações entre música e dança, memória, corpo e movimento em experiências afrodiaspóricas, improvisação e processos criativos. Sua pesquisa acadêmica versa as "danças de cordão umbilical", uma tentativa de abordar sabenças do corpo em movimento a partir das escrevivências de sua avó, considerando a mobilização de sua experiência e sua jornada mítica ancestral.
Com Adnã Ionara (SP). 60 min.
Dias 24 e 25/8. Quinta e sexta, 20h.  AL
R$40   R$20   R$12

No Sesc Bom Retiro -  Dias 25 e 26/8. Sexta e sábado, 20h. 
Teaser: https://www.youtube.com/watch?v=r7pY-XOy_4o

Preta Mina: O Fim do Silêncio, o Eco do Incômodo
Criada a partir dos poemas da artista, a peça aborda suas percepções sobre o mundo, suas relações em comunidade, sua arte e sua ancestralidade.
Guiada pelo número nove, com regência de Oyá, sua mãe, dona do movimento e dos ventos, exalta os caminhos da vida e as mudanças da consciência, a evolução da ideia e a constante procura pelo crescimento pessoal. São nove caminhos. Nove ramificações da mesma raiz. Nove paradas pelas histórias que carrego. São nove vezes que eu reflito. Nove falas. Nove portas. Nove. Enquanto descobre os desdobramentos de ser mulher, preta e brasileira, descobre também sua voz, seu corpo, suas vivências e daquelas que vieram antes.

Com Preta Mina (RS). 40 min.
Dias 25 e 26/8. Sexta e sábado, 20h.  AL
R$40   R$20   R$12

No Sesc Campo Limpo- Dias 26 e 27/8. Sábado e domingo, 16h.  GRÁTIS
Teaser: https://www.youtube.com/watch?v=30O6mKby3QY&t=115s

Vikings e o Reino Saqueado
Os palhaços Batata Doce e Turino estão agora imersos na cultura nórdica e se apresentam como atrapalhados guerreiros vikings voltando a seu reino após terem realizado desastrosas batalhas
pelo mundo.
Com Cia. Os Palhaços de Rua (PR). 60 min. Dias 26 e 27/8. Sábado e domingo, 16h.  GRÁTIS
A Cia. Os Palhaços de Rua é uma companhia de Circo e Teatro da cidade de Londrina - PR que desenvolve desde 2013 pesquisas na área da comicidade com enfoque na arte do palhaço. Teve sua origem a partir do encontro dos atores-pesquisadores Adriano Gouvella e Lucas Turino, ambos bacharéis em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina - UEL no ano de 2013. Anterior ao curso universitário os dois artistas já traziam consigo suas experiências na área por meio de montagens de espetáculos, performances, cursos, filmes e formações complementares. A Cia. possui em seu repertório três espetáculos, uma contação de história e vários cursos e oficinas. Já se apresentou e ministrou cursos em inúmeros festivais, SESCS e mostras artísticas pelos estados do: Acre, Rondônia, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Piauí, Ceará, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Paraná, realizando mais de 300 apresentações e recebendo vários prêmios e críticas do júri especializado.

Sobre o Palco Giratório

O Palco Giratório foi lançado em 1998 e, desde então, promoveu a circulação de 380 grupos artísticos, oriundos de todas as regiões brasileiras, em mais de 10.000 apresentações a um público estimado em 5 milhões de espectadores em suas turnês pelo Brasil. O encontro de artistas de diferentes locais do país alimentou debates que foram transportados para os palcos nas mais diversas linguagens. Questões da sociedade foram levadas ao público em narrativas que provocavam risos, lágrimas, estranhamento, transformação, em um grande registro histórico dos cenários que se apresentavam ano a ano.

 

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