03/03/2023 às 14h51min - Atualizada em 04/03/2023 às 00h03min

No Dia Internacional de Mulher, conhecia cinco mulheres que levam a brasilidade para o mundo

Com criações em diversas linguagens artísticas, elas têm se tornado referência por divulgar a cultura brasileira dentro e fora do país

SALA DA NOTÍCIA Da Redação
Divulgação

No Design, no Artesanato e nas Artes Plásticas, mulheres têm se destacado por elevar o nome do Brasil por aqui e no exterior. Ocupando posições importantes dentro do cenário cultural e com trabalhos autorais ou coletivos, elas buscam desenvolver ações que incentivam e inspiram outras mulheres a seguirem valorizando a cultura brasileira. 

 

Maria Fernanda Paes de Barros

Designer e artista

 

Depois de atuar por mais de 20 anos com interiores, a designer e artista Maria Fernanda Paes de Barros começou a desenvolver trabalhos autorais em 2015, quando fundou sua marca. Em poucos anos, ela se tornou um dos nomes mais proeminentes do design nacional, desenvolvendo objetos que integram design e técnicas artesanais ancestrais. A cada novo projeto com grupos de artesãos ela mergulha em uma região diferente, sempre considerando seus ofícios e as vidas das pessoas que os fazem. “Meu processo criativo passa, necessariamente, pela observação do cotidiano dos artesãos. Além da técnica, o entorno, suas histórias e formas de levarem a vida também me servem como inspiração”, revela. 

 

Aplicando a mesma metodologia, já trabalhou com comunidades artesanais de Minas Gerais, Pará, Bahia, Paraíba e Mato Grosso, onde estabeleceu uma de suas parcerias mais duradouras com artesãos da etnia Mehinaku. As peças da Coleção Xingu, feitas em parceria com eles, lhe possibilitaram ser uma das finalistas do Créateurs Design Awards 2022, premiação mundial que ocorre em Paris, na França. Um dos impactos do trabalho está na valorização do artesanato feito sobretudo pelas mulheres da etnia, que até então costumavam ter menos visibilidade do que os trabalhos feitos pelos homens. 

 

Maria Fernanda é a única designer brasileira a participar da Bienal de Design de Tel Aviv, que acontece no final de Março em Israel, onde deve apresentar - entre outros móveis e obejtos - o Armário Oca, feito com artesãs indígenas da Etnia Mehinaku, e a Cadeira Cocar, feita em parceria com artesãs ribeirinhas do Pará


Sempre evidenciando as histórias dos artesãos com os quais trabalha, também já representou o Brasil em eventos em países como Suíça, Itália, EUA, Bélgica, México e Emirados Árabes. Em breve, será a única brasileira a participar da Tel Aviv Biennale of Crafts e Design, em março de 2023, com peças da Coleção Xingu e Alma-Raíz, esta última criada em parceria com mulheres do Pará.  


Juliana Kerexu
Cacica, artesã e professora 

 

Única filha mulher entre sete irmãos, Juliana Kerexu é artesã, professora e cacica da aldeia Tekoa Takuaty, da etnia Mbya-Guarani. Ela é uma das principais lideranças femininas de seu povo, mobilizando diversas mulheres nos encontros nacionais da etnia guarani e expressando a importância da participação política das mulheres na liderança de suas comunidades, levantando-se contra o modelo tradicional de lideranças indígenas exclusivamente masculinas. “A mulher indígena tem um papel central dentro do funcionamento da aldeia. Por isso, sempre defendi que também fizéssemos parte das decisões e da liderança”, afirma. 

Localizada na Terra Indígena Ilha da Cotinga, em Paranaguá, no litoral do Paraná, a Tekoa Takuaty é atualmente a casa de seis famílias, que somam cerca de 25 pessoas. Segundo Juliana, o objetivo da criação da aldeia é dar maior proteção ao território impactado pelo complexo portuário de Paranaguá e seu entorno, além de desenvolver projetos socioambientais que promovam a valorização do meio ambiente local, da cultura e do modo de vida dos Mbya-Guarani. 

Sua defesa da Mata Atlântica e do combate aos grandes empreendimentos que tentam se instalar sobre seu território, lhe transformou em uma das vozes mais importantes durante a COP27, evento da ONU que é o maior encontro do mundo relacionado ao combate às mudanças climáticas.   

 

Nina Coimbra
Designer e Artista

A brasiliense Nina Coimbra, 39, se define como multiartista, sendo também curadora, designer e ceramista. Filha de uma artista plástica e um diplomata brasileiro, sua aptidão pelo universo criativo se manifestou desde cedo. Por conta da profissão do pai, teve a chance de vivenciar de perto a cultura de países como Equador, Índia, Estados Unidos, entre outros. Rodeada por cultura, ela sempre se interessou por descobrir novas técnicas e materiais, expandindo seu trabalho por diferentes mídias. Formada em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Nova York, se especializou em restauração e conservação de arte pela Scuola Lorenzo di Medici, em Firenze, na Itália. Foi a partir de então que aprofundou seu contato com o mobiliário e também iniciou sua imersão pelo universo do design. 

Com mostras coletivas e individuais em espaços como a SUNY Gallery, em Nova York; Funarte Brasília; Centro Cultural Banco do Brasil Brasília; Museu da República, em Brasília; Museu de Arte de São Paulo (MASP) e Museu da Casa Brasileira, Nina também já assinou a curadoria de eventos importantes como a Casa Brasil Nova York 2022, evento que promove o design brasileiro nos EUA, e Design Week México 2022, do qual além de co-curadora, também foi uma das designers convidadas para desenvolver trabalhos com artesãos locais. “Minha proximidade com o México deu tão certo que agora estou desenvolvendo um projeto que trará artesãos mexicanos para trabalhar com artesãos brasileiros no Xingu, com indígenas da etnia Wauja, reconhecidos por sua técnica com a cerâmica”, revela.   


Viviane Fortes
Consultora de Projetos Socioculturais

Nascida em Caxambu, Minas Gerais, a Consultora de Projetos Socioculturais, Viviane Fortes atua há mais 25 anos desenvolvendo ações que enaltecem as raízes do Vale do Jequitinhonha. À frente da coordenação geral da Tingui, organização sem fins lucrativos, que atua no fortalecimento das comunidades rurais e quilombolas da região, ela é idealizadora do projeto Mulheres do Jequitinhonha, que  gera renda para 160 mulheres bordadeiras e tecelãs. “A geração de renda é o resultado final, mas durante o processo, temos uma escuta ativa e multidisciplinar. Por isso, propomos atividades que impactam na melhora da saúde física, mental e emocional, que fortalecem a identidade comunitária e resgatam técnicas tradicionais artesanais. 

Coleções desenvolvidas pelos grupos integrantes do projeto têm participado de diversas exposições pelo Brasil. Além disso, em 2020, por meio do Consulado do Brasil em Genebra, na Suíça, elas participaram da exposição Empreendedorismo Social - Identidade e Saber Local, realizada na sede da Organização Mundial de Propriedade Intelectual - OMPI, órgão da ONU. A mesma exposição será apresentada agora em Budapeste, na Hungria. 


Nina Vogel
Multiartista e Marionetista

Natural de Erechim, no Rio Grande do Sul, a marionetista Nina Vogel é reconhecida internacionalmente como uma das principais referências brasileiras no teatro de animação contemporâneo, no qual o Brasil é precursor de uma vertente de teatro em miniatura, conhecida como teatro lambe-lambe. Além de marionetista, ela também é cantora lírica, atriz, diretora e designer. Porém, foi nesta identidade que Nina encontrou o espaço e a liberdade para criar as conexões entre a artista performer e a artista plástica, entre a cantora e a diretora. Desde então brinca de ser habitada por outros seres e objetos e com eles compartilha a cena e processos criativos. Em 2017, ela ganhou duas bolsas do governo do Québec, no Canadá, para uma especialização em teatro de animação. Nina cria solos autorais como O Coração, que teve sua estreia em Montréal e foi apresentado para mais de 20 países pelo mundo. Em 2022 representou o Brasil e a América Latina como artista independente num Congresso Internacional na Coreia do Sul, onde Instituições como a UNESCO e Nações Unidas estavam presentes, para debater o teatro de animação mundial e sustentabilidade. 

Pelas constantes viagens, ela costuma dizer que suas malas se tornaram sua casa. Por este motivo, todas as suas produções precisam partir de um ponto comum: devem ser facilmente “carregáveis”. Por isso, produz seus próprios figurinos, que geralmente também são o cenário e o palco de suas performances. Neste ano, além das performances dentro do Brasil, Nina apresentará sua arte no Chile, na sessão Rare Performances da Quadrienal de Praga e alguns países da Europa, como a Croácia. Ela também recebeu convites para uma série de residências artísticas e uma turnê pela Ásia, passando pela Indonésia, China, Japão e Coréia do Sul, além de voltar ao Canadá para mais apresentações. “Até hoje, todos os convites que tive para apresentar meu trabalho fora do Brasil foram feitos por diretoras e produtoras mulheres, algo que vejo como extremamente positivo e demonstra uma certa mudança de estrutura neste mercado”, finaliza.

 


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