11/08/2023 às 12h23min - Atualizada em 13/08/2023 às 00h02min

O Museu Da Casa Do Objeto Brasileiro promove o papo de casa

A relação do design com a arte indígena

Alisson Schafascheck
Foto Divulgação
A RELAÇÃO DO DESIGN COM A ARTE INDÍGENA
 
 
O Museu A CASA do Objeto Brasileiro promove o evento “Papo de Casa”, um reflexivo diálogo sobre o tema "A relação do design com a arte indígena", no dia 12 de agosto, das 11h às 12h30, no Espaço de Encontros da instituição, localizado na Rua Pedroso de Moraes 1216, em Pinheiros, São Paulo.
 
Com a participação dos designers Maria Fernanda Paes de Barros, Nadezhda Mendes da Rocha e Rodrigo Silveira, o bate-papo será mediado pela jornalista e curadora Regina Galvão, que conduzirá as discussões sobre a influência da arte indígena no design nacional e as experiências dos convidados com as tradições e as habilidades ancestrais dos artesãos das comunidades do Alto Xingu, centradas na região da Amazônia brasileira.
 
De forma inclusiva e gratuita, a iniciativa fortalece a fusão criativa do design contemporâneo brasileiro com as expressões artísticas e as tradições culturais das  diferentes comunidades da região, valorizando a diversa e rica identidade nacional.
 
 
TEXTO DE REGINA GALVÃO | MEDIADORA DO PAPO DE CASA
 
“A troca de experiências entre designers e artesãos tem crescido nos últimos anos no Brasil, com resultados animadores, tanto do ponto de vista comercial como cultural, valorizando o trabalho artesanal de comunidades que têm neste fazer o seu sustento e a preservação de sua cultura. As experiências são múltiplas e trazem, para o mercado nacional, produtos únicos para as casas brasileiras com preços mais justos.
 
Para discutir essa temática e contar suas vivências, os designers Maria Fernanda Paes de Barros, Nadezhda Mendes da Rocha e Rodrigo Silveira se reúnem na mesa redonda “A relação do design com a arte indígena”.
 
Maria Fernanda Paes de Barros, fundadora do estúdio Yankatu, criou o Projeto Xingu a partir de seu encontro com os artesãos da aldeia Kaupüna, da etnia Mehinako, no Alto Xingu, ao sul da floresta Amazônica. Juntos, desenvolveram uma nova cartela de cores para os fios de algodão, com as folhas e as cascas de árvores nativas encontradas na reserva, substituindo os fios coloridos artificialmente, usados pelas mulheres para produzir as tradicionais esteiras e redes tecidas com talos e fios de buriti. Dessa vivência, surgiram também móveis, como bufê, armário, bancos e balanço, que retratam o olhar da designer paulista sobre a tradição artesanal dos Mehinako.
 
Filha caçula de Paulo Mendes da Rocha (1928-2021), Nadezhda Mendes da Rocha realizou um antigo sonho de seu pai ao “vestir” a emblemática cadeira Paulistano, projetada pelo renomado arquiteto em 1957, com capas de tecido de fibra natural, feitas por indígenas. A ideia original de Paulo era estabelecer relações com os povos originários, enaltecendo sua cultura. O desejo passou a ser concretizado quando, em 2019, a designer visitou a aldeia Kamayura, no Alto Xingu. Ao conhecer o belíssimo trabalho têxtil da etnia, viu a possibilidade de fazer as capas com os artesãos. No projeto, que durou quatro anos e será contado com detalhes por Nadezhda no Papo de Casa, os revestimentos foram concluídos em um processo coletivo e, então, apresentado ao público em uma feira de arte e design.
 
Por fim, Rodrigo Silveira também apresentará como o design contemporâneo pode inovar com base nos saberes indígenas. No Projeto Soma, ele e artesãos da etnia Mehinako, moradores das aldeias Kaupüna e Utawana, no Alto Xingu, desenvolveram, na oficina do designer e marceneiro, na Barra Funda, bairro paulistano, nove bancos em formato de animais da fauna brasileira. Da pesquisa de Rodrigo, em meio a comunidades ribeirinhas e indígenas, desdobraram-se estudos sobre técnicas de trabalho de antes da colonização. Assim, nasceu a intenção de intensificar esse processo de troca: aliar a cultura de realização de bancos em formas de animais, já existente na população do Xingu, com as técnicas de marcenaria utilizadas por ele ao longo da sua carreira.
 
Três relatos cheios de história e emoção que ajudam a ampliar nossa percepção e nosso entendimento sobre a cultura dos povos originários e revelam as possibilidades presentes nessas parcerias que valorizam os saberes artesanais, sem interferir em tradições seculares, criando perspectivas para os artesãos, suas famílias e comunidades ao gerar autonomia comercial e financeira.”
 
 
Regina Galvão é jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em História da Arte pela FAAP. Foi editora das revistas Casa Claudia e Casa Vogue, nas quais coordenou prêmios de design de interiores e de produto, respectivamente. Participou como curadora da Semana de Design de São Paulo, o DW!, em 2016 e 17. Realizou a curadoria de exposições, como: "Novos Tempos" (2021), na Casa Brasil Eliane, e "É arte? É design?" (2020), na Galeria Bolsa de Arte, ambas em São Paulo. É consultora de conteúdo para empresas do segmento, e criou o podcast "Casa Frente e Verso", com a jornalista Simone Quintas, além de apresentar a primeira temporada do podcast Perkins&Will São Paulo.

SERVIÇO
O MUSEU A CASA DO OBJETO BRASILEIRO PROMOVE O PAPO DE CASA
"A RELAÇÃO DO DESIGN COM A ARTE INDÍGENA"
Mediadora: Regina Galvão
Designers convidados: Maria Fernanda Paes de Barros, Nadezhda Mendes da Rocha e Rodrigo Silveira
 
12 DE AGOSTO |  SÁBADO | 11H ÀS 12H30
MUSEU A CASA DO OBJETO BRASILEIRO
www.acasa.org.br  @museuacasa
Av. Pedroso de Morais 1216, Pinheiros, São Paulo SP
CEP: 05420-001 São Paulo, SP, Brasil +55 11 3814-9711
Entrada gratuita | Amigável aos animais
 
 

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