28/06/2023 às 14h23min - Atualizada em 29/06/2023 às 00h04min

Segurança na web e excesso de telas: Como entreter crianças e adolescentes nas férias?

Com a chegada do mês de julho, pais e responsáveis devem criar alternativas para o tempo livre dos jovens despendido na internet e estar atentos à proteção no ambiente virtual

SALA DA NOTÍCIA Kasane Comunicação Corporativa
Imagem de Freepik
A proporção de crianças e adolescentes de 9 a 17 anos que são usuários de internet no Brasil cresceu de 89 %, em 2019, para 93%, em 2021. Os dados são da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2021, divulgada em novembro de 2022 e realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). Com a chegada das férias escolares no mês de julho, o acesso dessa faixa etária à internet tende a crescer, em razão do aumento do tempo livre desses jovens. Para que essa conexão se torne mais saudável, pais e cuidadores devem criar alternativas para ocupar o tempo livre das crianças e adolescentes, aconselhá-los para um acesso à rede mais prudente e estar atentos aos perigos do ambiente virtual.

De acordo com a pedagoga e regente das turmas de 1º ano do Ensino Fundamental do Colégio Integrado Kids, Larissa Moutinho, lidar com esses riscos é essencial para que os pais assumam um papel ativo na supervisão da atividade online de seus filhos. “É importante dedicar tempo para explorar a internet com os filhos, ensiná-los a navegar em sites seguros e apropriados para a idade, assistir a vídeos educativos e participar de atividades online interativas. Isso não apenas fortalece o vínculo entre pais e filhos, mas também permite um acompanhamento mais próximo das atividades online das crianças”, explica. Ela recomenda ainda ensinar aos filhos o pensamento crítico, incentivando-os a desenvolver habilidades questionadoras sobre os conteúdos online.

Larissa orienta que os pais precisam estar presentes o maior tempo possível durante o uso da internet e, se possível, supervisionar as conversas online dos filhos e observar as atividades. “Devem ficar atentos a quais sites estão visitando, com quem estão interagindo e quais aplicativos estão usando. Estabelecer limites claros de tempo e conteúdo, utilizar filtros de segurança, educar sobre os perigos da internet e manter uma comunicação aberta são medidas fundamentais para proteger as crianças”, avalia. Ela propõe que, ao conscientizar, educar e estabelecer limites adequados, é possível ajudar as crianças a desfrutarem dos benefícios da tecnologia sem comprometer a segurança e o bem-estar.

Perigos do excesso

Para Larissa Moutinho, a internet é uma fonte infinita de informações, mas também abriga conteúdos inapropriados para a faixa etária das crianças. “Elas podem se deparar com conteúdos violentos, perturbadores ou que promovam comportamentos prejudiciais. Essa exposição prematura e inadequada pode ter efeitos negativos na formação da identidade, valores e comportamentos das crianças”, avalia. Ela destaca ainda outra preocupação que é o vício em tecnologia, já que o seu uso demasiado pode, segundo Larissa, levar ao isolamento social, o que prejudica o desenvolvimento de relacionamentos saudáveis.

A diretora pedagógica do Colégio Externato São José e coordenadora regional da ANEC (Associação Nacional de Educação Católica do Brasil), Tatiana Santana, reforça que transformar televisão e tablets em brinquedos pode afetar o desenvolvimento da criança, por exemplo, comprometendo o movimento, a capacidade de comunicação e as interações familiares. A educadora ainda comenta que manter a criança sempre ocupada não é saudável, afinal, é no momento do ócio que o indivíduo, desde pequeno, poderá estimular sua criatividade e descobrir suas habilidades. “As crianças possuem uma fonte infindável de curiosidade. Então, é importante que imaginem situações e inventem histórias para brincar sozinhos ou acompanhados de amigos e familiares, para que se desenvolvam com estímulos variados”, afirma.

Segurança na web

Na última semana, no dia 14 de junho, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou projeto de lei (PL) que estabelece regras para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais e virtuais (PL 2628/2022). Dentre elas está a proibição de criação de contas em redes sociais por menores de 12 anos e de publicidade digital voltada para crianças. O advogado de Direito Digital e Proteção de Dados Rafael Maciel analisa que o PL traz previsões importantes, mas pouco inova dentro das reais necessidades da sociedade. Ele explica que muitos menores utilizam as contas dos pais para poderem usufruir das plataformas digitais, porque, na essência, essas redes falam muito mais a língua da nova geração do que a de seus pais.

Além disso, ele avalia que, na prática, a proibição para a abertura de contas para menores de 12 anos em redes sociais já acontece. “Essas plataformas, sediadas nos Estados Unidos, como a Meta, por exemplo, que gere o Facebook, o Instagram e o WhatsApp, e até mesmo o TikTok, já monitoram e, quando identificam uma criança, menor de 13 anos, utilizando a ferramenta, fazem a remoção da conta. Como não temos uma rede social brasileira, dentro daquelas previsões do projeto de lei, nós passamos a ter mais do mesmo. E, por ser menor, não tem capacidade jurídica para assinar contrato, então já não poderia criar um perfil”, esclarece.

Rafael observa que o que importa, acima de tudo, é pensar em educação, não só das crianças, mas também dos pais. “Eles precisam entender desses riscos de uso do seu aparelho que, por exemplo, o menor pode ali fazer, como já tem feito, ao preencher formulários e cadastros em diversos serviços”, exemplifica. E finaliza: É fundamental reconhecer que a proteção online é uma tarefa coletiva na qual pais, responsáveis, instituições educacionais e poder público têm um papel a desempenhar na criação de um ambiente seguro para as crianças navegarem”.

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