17/03/2023 às 09h52min - Atualizada em 19/03/2023 às 00h03min

‘Meu sonho é que ela ganhe autonomia para viver e se defender do mundo sem mim’

No Dia Internacional da Síndrome de Down, mãe relata vivência com a deficiência e reforça importância da educação inclusiva

SALA DA NOTÍCIA Marcele Tonelli
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Arquivo Pessoal
Foi só depois que a filha Valentina Victoria completou 4 anos, idade obrigatória de início escolar, que a do lar Jane Luci dos Santos decidiu, enfim, enfrentar seu receio e matricular a garota com síndrome de Down na escola pública regular. “Eu cuidava dela em casa, porque achava que ela fosse sofrer. Mas, no fim, quem chorou fui eu, e de emoção, porque ela se adaptou muito bem e rápido ao ambiente escolar. Vai sempre animada para a aula, ama a professora, a cuidadora e os coleguinhas”, descreve.
O relato de Jane surge como um estímulo à educação inclusiva das pessoas com deficiências, uma das maiores conquistas a ser comemorada neste 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down.
A preocupação e o receio de mãe não eram em vão. Além de falar pouco, Valentina Victoria sempre precisou de ajuda para alimentar-se e ir ao banheiro, atividades simples, mas que, sem auxílio, tornariam quase impossível o acesso da garota à educação regular. “Meu maior sonho é que ela ganhe autonomia para viver e se defender do mundo sem mim. E a escola tem sido ótima pelo contato que proporciona com as outras crianças sem deficiência. Crescer nesse ambiente real será importante para a vida da Valentina”, destaca Jane.
“Percebo que ela tem se inspirado nos coleguinhas, sentido mais segurança e evoluído cada dia mais nesses últimos 3 anos. Vive dançando e já sabe tudo de celular”, descreve a mãe ao lado da filha de 7 anos, que mostrava na tela do telefone suas outras e ainda mais recentes inspirações: os influencers digitais com síndrome de Down.

Apoio
A decisão de matricular Valentina na educação regular, ao invés de especial, surgiu após Jane Luci conhecer o trabalho de profissionais de apoio escolar especializado, popularmente chamados de cuidadores. Desde 2020, a prefeitura de onde mora, Cuiabá (MT), oferta o apoio escolar aos alunos com deficiência por meio da Conviva Serviços. E a demanda de estudantes tem sido tanta que, de 2020 para 2023, o município aumentou em até 70% o quadro de profissionais do tipo.
“Se não houvesse o apoio escolar, não haveria condições mínimas de deixá-la em uma sala de escola pública com 30 crianças. Hoje, tenho total confiança no serviço e procuro repassar para outras mães a importância dessa inclusão”, pontua Jane.
Diretora da Conviva Serviços, Maíra Pizzo explica que, além de auxiliar o estudante na alimentação, locomoção e higiene íntima e bucal, o profissional de apoio escolar tem como missão contribuir para a autonomia e situações de socialização, desafios e descobertas ao aluno assistido.
“As recentes leis que definiram o papel do apoio escolar especializado para alunos com deficiência e tornaram obrigatória a oferta gratuita desses profissionais em ambiente escolar, são um marco para a educação inclusiva. A prova é o número cada vez maior de alunos com deficiência matriculados na rede pública demandando o serviço”, frisa Maíra.

Inclusão
Assim como a família de Valentina Victoria, a maioria dos brasileiros tem concordado que a educação inclusiva é o melhor caminho para buscar equidade e qualidade na educação.
Em pesquisa realizada pelo Datafolha, encomendada pelo Instituto Alana, 76% afirmam que crianças com deficiência aprendem mais quando estudam com crianças sem deficiência. E, 86% acreditam que as escolas se tornam melhores ao incluir pessoas com deficiência.
Entre os que convivem com pessoas com deficiência no ambiente escolar, a atitude é ainda mais favorável: 93% concordam que as escolas se tornam melhores quando há inclusão.
Intitulado “O que a população brasileira pensa sobre educação inclusiva”, o estudo, realizado em 2019, ouviu 2.074 pessoas acima de 16 anos em 130 municípios.
A própria pesquisa, porém, mostra que há um caminho a ser percorrido para conscientização sobre o tema: 87% dos entrevistados concordam que os pais de crianças com deficiência têm medo que seus filhos sofram preconceito na escola comum, contra 12% que discordam.

Conviva Serviços
Com três décadas de atuação, a Conviva Serviços exerce importante papel para a educação inclusiva no Brasil. É considerada a primeira entidade privada a se especializar para atender os alunos com deficiência na escola regular, através do profissional de apoio escolar. Com aproximadamente 1,3 mil funcionários, a Conviva Serviços está presente nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Espírito Santo e, além do apoio especializado com constantes capacitações, oferece em seu quadro funcional equipes multidisciplinares.

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SUB

Mãe comemora novo protocolo neonatal para Down
A gravidez era planejada e Jane Luci Santos fez todos os exames exigidos, mas nenhum deles foi capaz de identificar o diagnóstico que Valentina Victoria teve só aos 5 meses de vida: a síndrome de Down, condição que atinge um a cada 700 bebês nascidos no Brasil.
A demora que afligiu a família de Jane e até gerou uma depressão nela, contudo, pode estar com os dias contados. Isso porque nesta terça-feira (21), Dia Mundial da Síndrome de Down, o governo federal deve assinar um decreto que prevê exames neonatais de cariótipo para o diagnóstico neonatal além de intervenção precoce da condição pelo SUS.

“Há 7 anos, esse protocolo teria evitado um grande susto, e até a depressão que eu tive por toda aquela situação difícil de não conseguir saber o que minha filha tinha por longos 5 meses. Fico feliz por saber que outras mães não passarão mais por isso”, ressalta Jane Luci.

 
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